Temporada 2020

PERMANÊNCIA E INOVAÇÃO

“O mais importante é a mudança, o movimento, o dinamismo, a energia. […] Repito por pura alegria de viver: a salvação é pelo risco, sem o qual a vida não vale a pena!”.

Clarice Lispector

Há possibilidade do convívio entre permanência e inovação. Uma companhia de repertório é, em alguma medida, um espaço público de memória viva da dança, que se mantém na sua essência e se transforma no corpo de cada bailarino que dança.

Em 2020, iniciaremos duas residências coreográficas: o americano Stephen Shropshire e o brasileiro Henrique Rodovalho farão, cada um deles, três obras para a São Paulo ao longo de cinco anos. Na residência, há um aprofundamento da pesquisa de linguagem e da relação direta com os artistas da casa. A residência de Shropshire tem coprodução do Governo Holandês. A inventividade e a experiência abrem espaço para mais liberdade criativa.

Para nossa temporada, contaremos com três estreias: Só Tinha de Ser com Você, obra emblemática que Rodovalho criou para a Quasar em 2005 e que, agora, ganhará uma nova versão para a São Paulo, mas sem perder sua essência e o diálogo com a música de Elis Regina e Tom Jobim. Shropshire fará sua obra, Rococo Variations, com a música de Tchaikovsky Variations in a Rococo Theme. Ele investiga a relação da dança contemporânea com o virtuosismo da dança clássica, em uma relação direta com a música. A brasileira Ana Catarina Vieira parte do vocabulário da dança popular do nordeste brasileiro para criar uma dança contemporânea instigante e divertida. Imagens de Portinari darão cor e inspiração para esta obra que terá como trilha a Suíte Pernambucana de Guerra Peixe.

Vamos rever nesta temporada obras clássicas como o inesquecível O Lago dos Cisnes de Mario Galizzi e a delicada A Morte do Cisne de Lars Van Cauwnbergh. Uma obra instigante e arrojada que se vale das sapatilhas de ponta e da luz para ganhar novos impulsos, e cria imagens únicas na cena: Trick Cell Play, de Édouard Lock. Obras contemporâneas de pesquisa de linguagem do movimento como: a vibrante e sensual Agora, de Cassi Abranches; a delicada e dinâmica Vai, de Shamel Pitts, a emblemática Gnawa, de Nacho Duato, e a provocativa e intensa Anthem, de Goyo Montero.

A cada vez que dançamos, vivemos uma experiência singular, seja pelo bailarino ou pela plateia. O que permanece e o que se modifica? A essência dos movimentos e da criação permanecem, mas sempre será diferente no corpo de cada um que vier a integrar a obra e na percepção de quem vê. Toda dança é feita de mudança – integrando novas qualidades, sem perder a essência.

Então, fica o convite para você vir, ver e viver o movimento, o dinamismo e a energia da arte da São Paulo Companhia de Dança.

Inês Bogéa
Diretora Artística e Executiva da São Paulo Companhia de Dança

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